terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Doce Angelicalidade

Ela olhou a tortuosa estrada que se estendia em sua frente. No horizonte, a noite parecia cair num precipício sem fim. Não havia lua, muito menos estrelas. Só uma camada de espessas nuvens que cobria o céu.

De um lado, o mato invadia o estreito caminho de terra batida. Do outro, uma cerca bem cuidada extremamente branca não deixava a grama perfeitamente aparada fugir das terras demarcadas.

A menina com cabelos castanhos ondulados deu dois passos para frente. Seu equilíbrio não estava muito confiável, ela cambaleou até cair. As mãos esfolaram em pequenas pedras no chão. O joelho foi protegido pela calça branca que usava.

Ela se levantou com dificuldade e continuou andando. Conforme avançava para frente, sua camisa esticava na parte de trás, até romper por completo. Ela não usava nada por baixo. Os ossos de sua coluna ficaram à mostra, para que quisesse ver. Mas não havia ninguém.

De suas costas nasceram pequenas asas. As plumas que a formavam eram de um branco genuinamente puro, completamente limpo. Ela deu mais dois passos e virou para trás. Lembrou de tudo o que estava deixando em vida, e pensou em tudo o que teria num outro plano.

De repente sua visão se ofuscou. Os olhos vidrados ficaram brancos, seu corpo caiu no chão.

Ela estava de volta à cena do acidente. O corpo jazia esticado no chão, no centro de uma roda de pessoas com a mesma idade dela. Numa melhor olhada, percebeu que eram seus amigos.

Voltou a olhar para si mesma. Não estava opaca, e sim levemente transparente. Um dos garotos tocou sua boca com a própria. Ela viu seu pulmão inflar e logo após esvaziar. Quando todos a soltaram, o rosto pendeu para um lado e a mão para o outro. Não respondia a nenhuma das tentativas de reanimação.

Sentiu um aperto onde deveria ficar o coração. Não poderia abandoná-lo. Era ele que amava e para sempre amaria. Apertou o peito, comprimindo a dor que sentia ao ver as lágrimas grossas e bruscas que rolavam pela face do garoto.

Tentou tocar seu ombro, mas sua mão não conseguia alcançá-lo, e seus pés não a obedeciam. Beijou a ponta de seus dedos e assopro em direção a ele. O vento tratou de juntar seu beijo aos lábios dele.

- Eu te amo – sussurrou. De sua boca não saiu som algum.

- Eu vou te amar para sempre, meu amor – o garoto murmurou ao ouvido de seu corpo, como se tivesse ouvido o que ela falara, e logo tocou a boca, beijando a ponta dos dedos e os encostando nos lábios dela.

Com a mesma rapidez com que voltara à Terra, apareceu na estradinha. Novamente possuía asas em suas costas. O medo a apossou por completo, a insegurança e a saudade formando um conjunto torturante que se acoplou permanentemente em seu sistema.

A imagem do garoto, que nunca veio a ser seu namorado, lhe passou em frente a seus olhos. E, por fim, entendera o recado: estava definitivamente morta.


Fim...

4 comentários:

Taioana disse...

eu posso dizer q eu amei?
vc escreve muito coisinha q eu amo..

Marii Guimarães disse...

aaaaaaaaaw thanks :}

Victoria Lopez disse...

Olá, voce foi até meu blog, e me acusou de plágio, desculpe,mais nao copio nada sem dar os devidos creditos ao autor,se tem alguma coisa parecida ou igual por favor me apresente a autora para que eu possa dar os devidos creditos.

Lucas Gilmar disse...

muito lindo beijos
já estou seguindo:)
livro-azul.blogspot.com.br

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